13/03/2022
"As memórias nos tornam quem somos. São elas que nos ajudam a compreender o mundo e moldam nossa visão. São aquilo que nós lembramos e aquilo que queremos esquecer", explica Ângela Wyse - professora do departamento de Bioquímica da UFRGS.
Criadas, guardadas e, ainda, excluídas pelo cérebro, as memórias são fundamentais desde processos de aprendizagem até a capacidade de criar vínculos afetivos.
Até a metade do século XX, a maior parte dos estudiosos do aprendizado não acreditavam que as funções da memória estivessem localizadas em regiões específicas do cérebro. Segundo Kandel, Schwartz & Jessell (2000), muitos cientistas chegaram a duvidar de que a memória fosse uma função distinta e específica do cérebro. Acreditavam, ao contrário, que a memória fosse uma parte da atenção, da linguagem ou da percepção e que estaria distribuída por todo cérebro.
Em 1861, o patologista francês Pierre Paul Broca evidenciou que lesões, restritas à região conhecida como área de Broca, produziam defeitos específicos na linguagem. Os estudos nessas áreas contribuíram para que cada vez mais cientistas saíssem à busca da área, ou das áreas, cerebrais que fossem responsáveis pela memória.
Hoje, portanto, após muitas pesquisas desenvolvidas, compreendemos que as memórias são armazenadas no cérebro de acordo com o seu tipo de lembrança (curto prazo/longa duração), podendo estar na camada mais externa - córtex - e também em regiões mais profundas - subcórtex. Por sua vez, o hipocampo é a estrutura responsável pelo gerenciamento dessas memórias, exercendo, por exemplo, um importante processo de recuperação. Sendo assim, quando nos recordamos de algo, significa que foi o hipocampo que fez com que a informação armazenada fosse novamente lembrada.
📚 Referências: CANTARINO, João Marcos Ferreira. Memória: da filosofia à neurociência. UNIVERSITAS CIÊNCIAS DA SAÚDE, Vol 02 , N.02 - pp. 164 - 199 (2004).
GRANCHI, Giulia. Entenda como funciona as memórias e a importância de esquecer. Uol, 29 de julho de 2021. Disponívem em: .