23/12/2021
2021 foi um ano difícil. Adaptados as condições impostas pela pandemia, mas ainda sim com o sofrimento do distanciamento humano. Distanciamento da nossa possibilidade de nos afirmarmos com seres humanos. Nos esforçamos, buscamos ser solidários, entretanto, milhões viveram um aprofundamento da fome, da violência, do escárnio liderado pelo governo. Centenas de milhares mortos pela covide quando poderiam ser salvos pela vacina. Inescrupulosos viram na pandemia uma oportunidade de lucrar com a doença e o sofrimento alheio.
Ser humano não é uma condição inata, demanda uma construção relacional, dialógica. A afirmação da humanidade, implica na luta pelo bem comum. Na construção do sentido de pertencimento a uma cultura, a territórios cuja lógica é a da ética infinita com o ser humano, como diria Levinas. Mas também a ética com a dinâmica da natureza, cuja relação com a sociedade, expressa maior ou menor humanização.
A busca pela proximidade entre os humanos, no mundo contemporâneo é uma luta contra hegemônica. A hegemonia é a valorização do indivíduo, da surdez ao se ouvir o outro. Da competição pelo que seja possível ser privatizado, privar o outro da relação, do diálogo. Privar de humanidade.
Que em 2022, possamos lutar juntos, nos indignar contra o sofrimento alheio, daquele que não conhecemos de perto, mas que é ser humano por pertencer a humanidade. Humanidade que precisa ser reconstruída, pelas emoções, pela cultura, pela ciência e sobretudo pela política.
Que em 2022 possamos juntos avançar por meio do LAPLAN para a reconstrução do sentido de humanidade.
Davis Gruber Sansolo