01/06/2019
No término da palestra do dia 10 de maio da Psicóloga Regiane Palhares, nós, a Equipe Jornalística do A Voz de Tancredo procuraram entre os alunos que assistiram a palestra. Vários se negaram a prestar um depoimento por vergonha, mas finalmente achamos Cecília Geremias, que nos cedeu seu tempo para gravar um áudio de uma pequena entrevista direcionado por Leandro Malandro, segue em anexo a transcrição da mesma:
LM: A gente queria saber se você algum dia já se sentiu deprimida, ou alguma coisa do tipo assim...
CG: Já! Na verdade, eu já faço terapia há um ano e meio, e eu já tive pré-depressão e ansiedade, mas assim: foi uma fase da minha vida que eu já passei e eu já consegui controlar, sem remédio, sem nada, só com terapia... eu consegui controlar.
LM: Terapia? Como funciona essa terapia? Tipo, alguém te aconselhou isso, ou você falou: “Cara, eu vou lá, e eu vou conseguir isso”? Como é que foi?
CG: Foi assim... eu sempre tive uma relação boa com a minha mãe, porém, meio complicada, e a gente conversando, eu tive a iniciativa de chegar nela e contar que eu precisava de ajuda, então eu falei: “Olha, por favor, me leva num psicólogo”. E ela correu atrás, super me apoiou, e aí eu comecei a fazer, e são tipo, consultas uma vez por semana, e a gente conversa... onde a gente tem uma super intimidade... a gente na verdade (eu e a minha psicóloga) somos amigas, assim. E a gente conversa... eu conto toda a minha vida para ela, tudo o que aconteceu na semana, é assim.
LM: E é isso que é super importante, né? Ter apoio dos familiares, dos amigos, e tudo. Tipo, como você disse: “Ah, a psicóloga só está vindo aqui para ganhar o dinheiro e tal...”, não! Ela está querendo realmente te ajudar, ela é como uma amiga para você, uma pessoa muito importante na sua vida... e tipo assim, o que você poderia deixar para nós para motivar as pessoas que sentem isso, que acham que tem alguma coisa do tipo? Para correr atrás, não se abalar com isso, e ser alguém como você assim ó: especial, toda felizona, com um sorriso lindo assim.
CG: Obrigada... eu acho que além de tudo, a gente tem que querer ajuda, porque quando a gente quer, tem que partir da gente, então precisamos pedir, para começo de conversa. Se a gente vir que está num nível que não dá para aguentar, está complicado... a gente pede ajuda. E não desistir, porque a gente tem que ter nossa esperança, se a gente não acreditar... nada vai para frente, então, por muitas vezes eu achei que nada ia dar certo e eu mesma acreditei, não foi um amigo (por mais que eles ajudem), não foi minha mãe, não foi a psicóloga. Eu acreditei que ia dar tudo certo, então eu acho que a base é isso: acreditar que um dia tudo vai se ajeitar, e que os problemas vêm, mas são passageiros, né? Então é tudo passageiro, tudo tem conserto.
LM: Exato, exato, assim: isso que você disse, começou a partir de você, né? Então que é muito legal, tipo, você pegou e cara, falou: “Eu preciso disso, estou com esse problema. Então, o primeiro passo é colocar a mão na consciência e falar ‘realmente, cara, eu estou necessitado disso... ’”. Então eu te entendo, queria te agradecer aqui, muito obrigado por ter aceitado participar aqui do nosso jornal e... cara, você é merecedora, especial, queria te dar um abraço assim ó...
Eles se abraçam por seis segundos e quando se soltam, Yuri Miller, o Editor-Chefe, a intervém com uma pergunta:
YM: Só para finalizar, a gente gostaria de registrar um “feedback” sobre o grêmio mesmo: você acha que essa palestra acrescentou alguma coisa, e se acrescentou alguma coisa para você, o que acrescentou?
CG: Eu acho que acrescentou muito, não só para mim, mas para todas as pessoas da escola, porque tem muita gente que precisa de ajuda, muita gente que não sabe o que fazer, muita gente que não tem ninguém. E eu acho que essa palestra é tipo uma iniciativa para as pessoas que estão realmente precisando ver que tem uma saída para tudo isso. Então eu acho que tudo isso tem que acontecer muito mais vezes, na minha cabeça assim, eu acho lindo, maravilhoso ver as pessoas se unindo, se apoiando, por uma causa de muita necessidade, então eu acho: incrível.
YM: Genial! Muito obrigado mesmo pela participação.
Fotos: Yuri Miller;
Entrevista: Leandro “Malandro”;
Transcrição: Yuri Miller.