10/06/2026
O que acontece no Líbano não é um conflito, não é uma guerra entre nações, não é legítima defesa. É a exportação de um manual de extermínio testado em Gaza e agora replicado com a mesma impunidade.
Mais de 1,3 milhão de pessoas deslocadas, 1.247 mortos, 124 crianças assassinadas. Ataques sistemáticos a hospitais, profissionais de saúde, estações de água. O que a grande mídia chama de "conflito" entre Israel e Hezbollah é, na verdade, a repetição de um padrão genocida que a comunidade internacional normalizou em Gaza.
E aqui vai a crítica que não se ouve nos noticiários: a ONU faz declarações bonitas enquanto as bombas caem; o Brasil se omite; o Acordo de Associação entre União Europeia e Israel segue de pé; as armas continuam chegando. Onde está a comunidade internacional quando não há petróleo nem interesse geopolítico direto? Onde está o humanismo seletivo que chora algumas vidas e silencia sobre outras?
Enquanto isso, um senhor libanês de 85 anos, expulso de sua casa pela enésima vez, ensina o que a diplomacia não aprendeu: não importa quantas vezes nos expulsem, nós voltaremos, porque essa é a nossa terra. A Clínica de Direitos Humanos da UFBA não faz coro com o silêncio.
Silêncio não é neutralidade, é sentença de morte. Denunciar genocídio não é tomar partido, é cumprir o dever jurídico e ético de quem defende direitos humanos sem hierarquia de luto. Recuse o silêncio. Amplifique essa voz.