18/10/2017
Comunicado aos usuários do sistema de saúde no Brasil :
Provavelmente poucos sabem o que está acontecendo com a Enfermagem.
A história é a seguinte: uma liminar que foi concedida por um juiz após um pedido de médicos do Conselho Federal de Medicina (CFM) , que dizem se importar com o cuidado das pessoas, mas que na verdade não estão preocupados principalmente com as ações de saúde publica no Brasil.
O que aconteceu? Bom, esta liminar quer impedir que os enfermeiros possam solicitar alguns exames que sempre solicitaram nas consultas de enfermagem e autorizados por protocolos do Ministério da Saúde .
Pode parecer pouco para quem não conhece e entende trabalho do enfermeiro mas, vamos explicar melhor.
Nesta área, além das diversas funções administrativas, gerenciais e assistenciais, o enfermeiro também faz consultas. A consulta de enfermagem, é regulamentada por leis e portarias, e permite ao enfermeiro, conversar, ouvir, pesar, medir, aferir a pressão, realizar exame físico/ obstétrico/ ginecológico, e fazer as orientações e intervenções pertinentes. Após a consulta e, caso seja necessário, o enfermeiro pode solicitar exames e prescrever medicações previstos em protocolos e cadernos de atenção básica do Ministério da Saúde e da Secretaria Municipal de Saúde de cada Município.
Tudo isto pactuado e aprovado junto aos médicos responsáveis também pela elaboração dos protocolos com diversos outros profissionais de saúde.
Como o trabalho na saúde da família é multidisciplinar, grande parte dos casos são discutidos com o médico e compartilhados com a equipe. Assim, garantimos qualidade no cuidado.
Uma das ações na atenção primária que é de atividade do enfermeiro é a realização do chamado o preventivo.
Preventivo não é só colher material do colo do útero. Envolve, dentre outras coisas, examinar as mamas com solicitação de mamografia de rastreamento para as mulheres dentro da faixa etária, avaliar possíveis lesões genitais, tratar corrimentos e outras doenças, investigar doenças sexualmente transmissíveis solicitando te**es rápidos, e colher o material para o preventivo. Após a coleta, o enfermeiro faz a solicitação da análise citopatológica e encaminha ao laboratório.
Todas as consultas podem gerar a necessidade de solicitação de exames. Exemplo: Na consulta de pré natal, o enfermeiro solicita o teste rápido de gravidez para confirmar a gestação e após confirmação, os exames de rotina no primeiro e terceiro trimestre.
Na consulta de Hipertensão e Diabetes, o enfermeiro pede os exames de rotina para diagnóstico e controle das doenças.
Na suspeita de tuberculose, o enfermeiro solicita teste de escarro e raio X.
Nas situações de exposição sexual, suspeita de HIV, sífilis ou Hepatites, o enfermeiro pede os te**es rápidos para diagnóstico e intervenções oportunas.
Todas estas ações são regulamentadas.
Não burlamos regras. Não inventamos funções. Não queremos tomar o trabalho de ninguém. Estudamos, nos especializamos, e lutamos apenas para garantir acesso e saúde à população.
Sem o enfermeiro, o índice de tuberculose no Brasil, que já é tão alto, vai ser maior ainda. Sem o enfermeiro, teremos subdiagnósticos de doenças sexualmente transmissíveis, o que significa mais gente transmitindo e mais gente se infectando. Sem o enfermeiro, teremos mais hipertensos e diabéticos descompensados. Sem o enfermeiro, os casos de câncer de mama e colo do útero serão descobertos tardiamente, com menos possibilidade de intervenção. Sem o enfermeiro, o outubro rosa, vai virar outubro cinza.
Precisamos do apoio de toda população.
Somos profissionais de saúde autônomos , que também passamos por formação em universidades e especializações e exigimos respeito . A saúde precisa de ajuda , não de disputas que deixem a populaçao ainda mais desfavorecida.
Enfermeiros do Brasil .
O trabalho da enfermagem não se resume a solicitação e interpretação de exames, não se enganem. Mas sem essa autonomia, quem perde é a população.
Dói muito ver o desmonte do SUS. Mas enquanto continuarmos dando “jeitinho”, nos sujeitaremos cada vez mais a imposições como esta.
lutar. Por nós, pelo SUS, pela população."