Dr. Francisco Carvalho de Arruda Coelho
Hoje é uma trivialidade corriqueira dizer-se que Sobral é uma cidade moderna, bonita e harmônica graças à existência muito ativa da sua universidade. Sobre os merecimentos da UVA, cabe, porém uma observação: doravante é que nós, sobralenses, vamos receber da universidade os influxos benéficos do desenvolvimento econômico e cultural por conta do engenho e ar
te dos nossos quadros tecnológicos e equipes dirigentes que serão proporcionados à região pela novo curso de Engenharia da Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA. Sem dúvida, há nesta observação uma certa bravata, que nos serve de foguete para festejarmos a chegada do curso “das engenharias” da UVA, resultante de um convênio entre a UVA, UFC, Prefeitura de Sobral e Centec, prestes a ser celebrado, desencadeando o processo de execução do projeto que, há anos, o Centro de Ciências Exatas e Tecnológia da UVA vem preparando para atender às instâncias desta região e às constâncias do Reitor Teodoro Soares. Realmente, há uns três anos, o reitor Teodoro Soares convocou os mestres e doutores da UVA, especialmente os que fazem o curso de Tecnologia da Construção Civil, para elaborarem o projeto do Curso de Engenharia. O projeto está feito. A nosso ver com características de modernidade e adequação às peculiaridades e necessidades da região servida pela UVA, que transborda geograficamente para áreas do Ceará, Piauí e Maranhão. As características mais evidentes do projeto são duas: a primeira é uma flexibilidade que permite à instituição atender as demandas da engenharia – civil, mecânica, elétrica, agrícola, florestal, irrigação, etc, etc – sem aquela rigidez obrigatória de manter a modalidade iniciada, mesmo depois de satisfazer a demanda. A outra peculiaridade consiste numa acentuação considerável da formação do engenheirando no conhecimento dos problemas nacionais, especialmente os nordestinos e cearenses. Todo o mundo sabe, por exemplo, que a fragilidade econômica do Nordeste e suas conseqüências sociais – pobreza, fome, miséria – decorre das conhecidas deficiências hídricas da região, sanáveis com as transposições de bacias hidrográficas, tal qual acontece em todos os continentes. Sendo o Nordeste anexo à bacia amazônica, a maior reserva de água doce do planeta, temos de convir que a não transposição das águas para o Nordeste, não é um impedimento geográfico. Muito menos uma questão financeira, pois o que se tem gasto na secular indústria das secas, ou na construção de outras obras públicas dez vezes mais dispendiosas, daria para transformar o Nordeste num oceano. Paralelamente nos estarrece a verificação de que o rio que passa na nossa cidade, o lendário Acaraú, alem de ser “o mais belo do mundo” é também um rio perenizado por obras de açudagem, desde os idos de 1960, porém nos duzentos quilômetros de seu curso perenizado, apto à irrigação, não se encontrava nem um pé de coentro. Agora, meio século decorrido, brilha um raio de esperança com os projetos de irrigação Araras Norte e Baixo Acaraú. Como quer que seja, é inaceitável o secular convívio com a pobreza, a fome, a miséria, por questões éticas. Tais fatos e raciocínios consolidam o nosso propósito de formar um engenheiro não apenas tecnicamente competente, mas, também, eticamente sadio. Assim poderíamos regar a esperança de que a UVA vai ajudar os brasileiros pacientes e inocentes a dar um basta nas mutretas e safadezas da ladroagem nacional. A UVA está apta a vencer este desafio. Tem a estrutura física, a massa crítica, o ânimo tenaz e audacioso, a esperança mística que são atributos da universidade sobralense, sabiamente cultivados nos 13 anos do breve reitorado José Teodoro. Nada é mais rápido do que a passagem do tempo bom.