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A teoria Schumpeteriana considera que o progresso técnico é endógeno à organização industrial. Em outras palavras, ela a...
20/10/2021

A teoria Schumpeteriana considera que o progresso técnico é endógeno à organização industrial. Em outras palavras, ela afirma que — na maioria das vezes — as inovações acontecem no interior da indústria. Em consequência disso, as empresas são capazes de influenciar o ritmo do progresso industrial. Esse fenômeno é comumente observado, por exemplo, na indústria eletrônica.
Em um cenário de progresso técnico endógeno, a principal preocupação do empresário é de criar novas tecnologias por meio de investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e capital humano. O autor do texto, Brasil (2011), salienta que mesmo com exceções no quesito de exogeneidade, a lógica central permanece a mesma: as empresas precisam trazer inovações tecnológicas para poderem alcançar vantagens competitivas no mercado.
Nesse contexto de concorrência industrial e inovação tecnológica, Schumpeter mostrou que a existência de monopólios e oligopólios nas economias mais avançadas não são exceção, mas sim a regra. Segundo ele, essa organização econômica baseada em poucas e grandes empresas contribuiu para uma maior produtividade do trabalho, o que acaba aumentando o poder de compra do trabalhador, que precisaria trabalhar cada vez menos horas para consumir determinado produto.
Nos próximos posts, será analisado se essa lógica Schumpeteriana das grandes empresas também vale para as pequenas e médias no cenário da economia contemporânea globalizada, observando assim suas estratégias e capacidade de inovação.

Para ler o artigo de Brasil, Nogueira e Forte, acesse:https://www.redalyc.org/pdf/2735/273519438003.pdf

De acordo com a teoria Schumpeteriana, segundo Camargo Neto (1993), a concorrência que melhor se encaixa no sistema capi...
28/09/2021

De acordo com a teoria Schumpeteriana, segundo Camargo Neto (1993), a concorrência que melhor se encaixa no sistema capitalista se dá entre as grandes empresas, na qual possuem maior capacidade de inovação e, com isso, buscam incessantemente por vantagens produtivas e diferenciação de mercadorias, contrariando a visão dos clássicos, que defendia a ideia de concorrência de preços em competição perfeita, com produto homogêneo e cada empresa detendo uma pequena parcela de mercado.

A principal preocupação de Schumpeter se dava nas grandes inovações tecnológicas que, segundo o economista, tinham poder de alterar de forma significativa a função de produção das empresas e causar impacto na economia com o processo de destruição criadora — quando ocorre uma inovação de mercado que destrói processos produtivos ou produtos vigente, por exemplo, e substitui por um novo.

Existem basicamente cinco tipos de inovações, segundo Schumpeter (1988), Silva (1984), Souza (1993), Colares (1995), são eles: Inovação de produtos; métodos produtivos; abertura de novos mercados; fontes de insumos mais eficientes ; e mudanças nas formas de organização no mercado. Para a teoria Schumpeteriana, os dois primeiros (chamados de inovações tecnológicas) são os mais importantes, pois possuem maior capacidade de melhorias na eficiência do sistema de produção, o que consequentemente trará vantagens de custos e diferenciação.

Para Schumpeter, o processo de inovação tecnológica é dinâmico, contínuo e acontece dentro do sistema econômico em três etapas: Invenção; Inovação; Difusão. Resumidamente, a primeira fase é quando as inovações ocorrem de fato, enquanto que a segunda representa a fase uso da inovação por parte empreendedor, garantindo lucros, redução de custos e melhor posicionamento de mercado da empresa inovadora. A terceira e última fase ocorre quando a inovação é disseminada por todo o sistema econômico, pois os concorrentes buscam dissipar a vantagem competitiva ou a perda de lucro, o que acaba por acirrar ainda mais a competição entre grandes empresas.

É importante relembrar que o monopólio e as formas de dominação de mercado, tendo como base a teoria Schumpeteriana, são essenciais para o desenvolvimento econômico e tecnológico. As empresas, dentro desse sistema, reagem de forma ativa às inovações implementadas por seus concorrentes, gerando vantagens competitivas que ajudam no processo de destruição criativa. As barreiras de entrada formadas no mercado, influenciam na decisão e expectativa dos investidores, que visam sempre bons retornos para seus investimentos no longo prazo. Portanto, as ideias apresentadas possuem caráter distinto da teoria Clássica.

Para ler o artigo de Brasil, Nogueira e Forte, acesse:https://www.redalyc.org/pdf/2735/273519438003.pdf

A chamada Teoria Schumpeteriana, desenvolvida ao longo da primeira metade do século XX pelo economista Joseph Schumpeter...
21/09/2021

A chamada Teoria Schumpeteriana, desenvolvida ao longo da primeira metade do século XX pelo economista Joseph Schumpeter, é focada na concorrência e na inovação tecnológica. Ela considera que quanto maiores forem as empresas, maior será a competição no mercado, pois a teórica considera que a inovação gera competição, e as grandes empresas possuem uma capacidade de inovação muito maior que as pequenas.

Porém, num cenário atual, de uma economia globalizada, com mercados em escala mundial, é importante reavaliar a capacidade de inovação das pequenas e médias empresas (PMEs), pois sua maior flexibilidade pode favorecer a inovação e, por consequência, contribuir para o avanço produtivo da economia.

Tendo isso em mente, o artigo de Brasil (2011) busca responder se é possível adaptar a Teoria de Schumpeter sobre empresas, inovações, e concorrência para as Pequenas e Médias Empresas (PMEs). Os autores, então, destrincham a teoria Schumpeteriana para assim poder fazer a abordagem de interesse. Trataremos mais sobre esta teoria nos próximos posts.

Para ler o artigo de Brasil, Nogueira e Forte, acesse:https://www.redalyc.org/pdf/2735/273519438003.pdf

A teoria microeconômica clássica defende a ideia de que a consolidação de empresas oligopolistas no mercado é prejudicia...
16/09/2021

A teoria microeconômica clássica defende a ideia de que a consolidação de empresas oligopolistas no mercado é prejudicial para a competitividade econômica, pois a concentração de parcelas de mercado sob o poder de poucas empresas resulta num aumento excessivo de preços, lucros abusivos e redução dos ganhos dos consumidores. Nesse cenário, empresas pequenas ou ineficientes tornam-se insustentáveis no longo prazo, ocasionando sua expulsão do mercado, deixando espaço apenas para as grandes corporações e empresas oligopolistas. Entretanto, um ramo da economia formado por Joseph Schumpeter considera que a concentração de mercado traz efeitos positivos para a economia através do processo criativo e inovador.

Schumpeter foi um economista da República Tcheca, nascido em 1883. Ele foi também professor de economia e ministro de Finanças da Áustria. Quando a Áustria e Alemanha foram tomadas pelo nazismo, ele mudou-se para os EUA, onde foi professor visitante de Harvard. Sua obra mais famosa é o ensaio econômico “Capitalismo, Socialismo e Democracia” (1942). Schumpeter acreditava que os empreendedores estariam no cerne do progresso econômico, devido a sua capacidade de trazer inovações. Segundo o economista, a inovação é o que traz o lucro, a eficiência produtiva e a melhoria do mercado.

O artigo utilizado para estudo é intitulado “Schumpeter e o desenvolvimento tecnológico: uma visão aplicada às pequenas e médias empresas (PMEs)", escrito em 2011 pelos doutores em administração de empresas Marcus Brasil, Cláudio Nogueira e Sérgio forte. O artigo busca identificar o comportamento inovador de pequenas empresas no contexto atual da globalização, tendo como base os ensinamentos econômicos de Schumpeter.

Para ler o artigo do Brasil, Nogueira e Forte, acesse:https://www.redalyc.org/pdf/2735/273519438003.pdf

Os membros do GEPPEB estão saindo de férias!Acompanhando o calendário de aulas da UFSCar, as atividades do grupo de estu...
18/06/2021

Os membros do GEPPEB estão saindo de férias!
Acompanhando o calendário de aulas da UFSCar, as atividades do grupo de estudo também serão reduzidas, porém estamos planejando novidades para o próximo semestre! Desde o início de 2021 tratamos de diversos temas envolvendo áreas da economia do Brasil, por isso relembre parte do nosso conteúdo sobre Economia da saúde e Economia digital, além dos conteúdos em vídeos sobre participação dos Idosos na renda domiciliar, disparidade salarial entre homens e mulheres e a entrevista com o professor doutor Alex Itria. Fiquem ligados na nossa página para receberem os novos conteúdos.

O sistema econômico anterior à Economia Digital foi marcado por processos de produção em massa e barreiras de entrada pa...
12/06/2021

O sistema econômico anterior à Economia Digital foi marcado por processos de produção em massa e barreiras de entrada para pequenas empresas, e com o advento das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) as empresas passaram a ter acesso facilitado à informações, contato aproximado com o público consumidor, redução nos custos produtivos, e possibilidade de digitalização com o uso da internet. Os efeitos positivos da inovação tecnológica das TICs alteraram o paradigma econômico e resultaram no surgimento de plataformas digitais antes inviáveis, como é o caso do YouTube, que concede protagonismo aos criadores de conteúdo comuns e usuários do site.

O trabalho de Santana (2018) demonstrou que os novos modelos de negócio da economia digital transitam de uma estrutura produtiva de caráter massivo para uma estrutura descentralizada, o que modifica os processos produtivos e, consequentemente, reconfigura a realidade da economia. Essa nova estrutura baseia-se numa cultura participativa e altamente interativa, que não somente aproxima-se facilmente do consumidor, como também dá a ele a chance de se tornar um produtor. Nota-se também que o mercado de nicho, formado por empresas que seguem essa nova linha, tornou-se tão influente na produção quanto as empresas tradicionais.

Porém, isso não significa que as empresas tradicionais ficaram de fora dessa transformação no mercado. Em relação ao YouTube, nota-se a migração digital de grandes empresas da mídia tradicional que conseguiram se adaptar bem à plataforma, como aconteceu com programas de telejornais e “talkshows”. Observa-se por exemplo o programa The Noite, que alcançou, desde 2014 até o momento, mais de 9,6 milhões de inscritos e quase 3 bilhões de visualizações, tornando-se portanto um dos maiores canais do YouTube nacional, ampliando seu alcance para além dos meios tradicionais da TV aberta. Diversos jornais e programas de rádio passaram por adaptação semelhante e buscam atingir, caminho percorrido pela tradicional Jovem Pan, assim como grandes marcas buscam divulgar seus produtos para o público nichado da internet, estratégia adotada pelo Guaraná Antarctica em seu canal do Youtube, contando atualmente com 1,67 milhões de inscritos.
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Link do texto: https://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/28271

Ao longo das últimas décadas, é notável que a inovação e a busca por diferenciação competitiva por meio da tecnologia se...
09/06/2021

Ao longo das últimas décadas, é notável que a inovação e a busca por diferenciação competitiva por meio da tecnologia se estabeleceu como fator fundamental para a evolução dos mercados. Este elemento fez com que se desenvolvessem não só produtos e serviços derivados de tecnologias avançadas, mas também transformou o cenário organizacional, criando novas estruturas de negócios que diferem das já existentes. Tal processo causou diversas revoluções de setores, criando novos modelos de negócios que impactam a concorrência, caracterizando-se pela chamada inovação disruptiva, causando impacto também nos modelos já existentes.
À medida que as empresas buscam novos produtos com diferentes tecnologias a fim de abastecer uma maior parcela de mercado que seja de maior rentabilidade, as demandas dos consumidores tradicionais são deixadas de lado. O suprimento desta, vem por meio de novas empresas que também podem atuar de maneira disruptiva, melhorando o desempenho da sua oferta de produtos e serviços e atingindo maior nível de mercado, aumentando sua lucratividade.
Adentrando no conceito de inovação disruptiva, Santana (2018) utiliza, além dos de sua autoria, exemplos do próprio criador do termo, Clayton Christensen. São esses: celulares que tomaram espaço dos telefones fixos; Airbnb, se opondo às formas tradicionais de redes hoteleiras; aplicativos de motoristas sendo evolução da rede tradicional de táxis; cita também o Spotify e a Netflix como modelo disruptivo dos tradicionais de seus respectivos setores, que gerou a falência de locadoras. A partir do conceito e exemplificações apresentados, é possível entender que uma inovação disruptiva refere-se a um produto ou serviço que se torna motivador para criação de novos mercados baseados na inovação.
Ainda, Santana (2018) discorre em seu trabalho a respeito do modelo de inovação disruptiva do canal KondZilla no YouTube, no qual é caracterizado por grande estrutura produtiva com forte segmentação em um nicho específico, quebrando os obstáculos dos meios de promoção musical tradicional — rádio e televisão — e atuando em um espaço de maior agilidade e flexibilização da produção e distribuição de seus artistas (destaque para clipes musicais).
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Link do texto: https://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/28271
Na imagem: Battlefield 2042 - Official Reveal Trailer (encontrado em: https://youtu.be/watch?v=LuXsKqwE3v8)

A plataforma do Youtube abriga os mais diversos tipos de canais, e mesmo aqueles voltados para o mesmo conteúdo apresent...
04/06/2021

A plataforma do Youtube abriga os mais diversos tipos de canais, e mesmo aqueles voltados para o mesmo conteúdo apresentam particularidades, entretanto, com o eventual crescimento e profissionalização dos vídeos, todos os canais acabam migrando para um modelo de negócios semelhante, denominado modelo de Cauda Longa. Esse tipo de modelo é comum em mercados que o produto é voltado para públicos específicos, sem a necessidade de se aproximar de “Hits” (Fortes tendências populares), pois com o sistema de direcionamento, as empresas conseguem direcionar sua mercadoria para nichos de interesse mesmo que os canais monetizados não sejam relativamente famosos e com número de inscritos considerável.
Santana (2018) destaca em seu trabalho que esse modelo de negócios tem como sustentação três pontos essenciais, sendo o primeiro deles a “democratização das ferramentas de produção” que com o advento da popularização das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), permitiu que sites como o YouTube fossem criados e mantidos no ar, e de forma semelhante diversas pessoas têm a oportunidade de criar um canal e produzir seu próprio conteúdo. Outro ponto importante é a “democratização das ferramentas de distribuição”, pois com o surgimento da internet os meios de propagação de informação se tornaram mais rápidos e com poucas barreiras de acesso, possibilitando a distribuição de vídeos com custos baixos através dos próprios produtores, que podem ser tanto canais grandes como usuários comuns. O terceiro ponto diz respeito à “Ligação entre Oferta e Demanda” que representa a fácil divulgação de conteúdos até para canais pequenos, pois não é necessário utilizar redes de televisão, rádio, revistas ou jornais como única forma de entrar em contato com o público consumidor, nesse caso os youtubers exercem a função dos meios de informação e colaboram com a formação da opinião, gostos e comportamentos dos usuários da plataforma.
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Link do texto: https://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/28271
Na imagem: ESPECIAL DE NATAL - PARTE 1: AMIGO SECRETO (encontrado em: https://youtu.be/watch?v=hZC0wzCSil4)

Cada vez mais, Youtubers atraem milhões de inscritos em seus canais. Aquilo que nos primórdios do  site era apenas um ho...
02/06/2021

Cada vez mais, Youtubers atraem milhões de inscritos em seus canais. Aquilo que nos primórdios do site era apenas um hobby, tornou-se uma verdadeira profissional. Com isso, os criadores de conteúdo afirmam sua credibilidade profissional e exercem forte influência sobre os consumidores por meio de filmes, publicação de livros e parcerias comerciais.
Santana (2018) observou uma consolidação de canais do YouTube funcionando como novos modelos de negócio. Com base nos estudos de Vasconcellos (2018), foram selecionados três canais de cada uma das quatro categorias mais assistidas no Brasil, sendo estes selecionados por sua relevância dentro e fora do YouTube. Para a análise, o estudo utilizou quatro dos nove blocos que formam um modelo de negócio segundo Osterwalder e Pigneur (2011), os quais já foram tratados em posts anteriores.

Para a categoria consumo, Santana (2018) nota uma certa homogeneidade no modelo de negócios: todos os canais destacados obtêm fonte de receita através de publicidades, possuem público predominantemente feminino e utilizam estruturas de produção de baixo custo. Essa organização é fácil de ser percebida num canal de tutorial de maquiagem por exemplo.

Já nos canais analisados do nicho "Educação", uma característica comum se dá pelo elevado custo de produção dos vídeos. Um caso interessante é o do canal Descomplica: com 3,5 milhões de inscritos, a empresa utiliza a plataforma como meio secundário para atrair os consumidores para um serviço que já existe fora da plataforma (um site com assinatura paga) e da internet.

Dominante não apenas em seu nicho, mas na audiência nacional na plataforma, os três canais da categoria lazer — Canal KondZilla, Felipe Neto e Whinderssonnunes — têm grande relevância até mesmo no cenário mundial do YouTube. O canal KondZilla é um dos maiores de todo o site, tendo hoje 64 milhões de inscritos e 34 bilhões de visualizações. Ele possui um modelo de negócios mais heterogêneo dos outros dois, tendo uma estrutura mais profissional e complexa. Os canais do segmento “lazer” são os mais diferenciados entre si nesse estudo, sendo a maior diferença nos quesitos de atividade principal e organização de custo.

Por fim, o nicho "Político-social" é o que detém maior homogeneidade no que diz respeito às características dos modelos de negócio. Os três canais destacados apresentam estrutura de baixo custo, fonte de receita por meio de publicidade, público jovem e adulto e mesmo objetivo principal.
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Link do texto: https://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/28271
Na imagem: Monark critica duramente ações do Bolsonaro - Flow Podcast (Corte encontrado em: https://youtu.be/watch?v=NX9lgNfxX6I&t=70s)
(Link do podcast completo você encontra em: https://youtu.be/TNMTQa6Gzu8)

A viabilização empresarial de plataformas digitais foi possibilitada por um cenário de economia dinâmica, tendo como ele...
26/05/2021

A viabilização empresarial de plataformas digitais foi possibilitada por um cenário de economia dinâmica, tendo como elementos principais o progresso tecnológico, inovação e competição de mercados durante o surgimento da Web 2.0. Essa nova ordem econômica contraria os pressupostos consagrados da teoria neoclássica e dos modelos de negócios consolidados. O YouTube é atualmente uma das maiores empresas atuantes na internet e que utilizou as novas ferramentas disponibilizadas pela propagação das TICs de forma criativa, conectando diversos produtores de vídeos independentes com um grupo expressivo de espectadores à custos menores do que na mídia tradicional, distribuição gratuíta de informação e possibilidade de profissionalização na área.
A estratégia inovadora adotada pelo YouTube tem como ponto central a terceirização do produto gerado, pois torna possível a criação de conteúdo por pessoas comuns que buscam inicialmente apenas compartilhar algum tipo de informação, desde conhecimentos específicos até a divulgação pessoal e relatos do cotidiano. Para “monetizar” os serviços prestados pela plataforma, ou seja, gerar retorno financeiro, são feitas parcerias publicitárias com diversas empresas que buscam divulgar suas mercadorias para públicos específicos, como propagandas de bancos em vídeos de conteúdo financeiro visando atingir o público habitual desse tipo de conteúdo, por exemplo. O rendimento obtido por contratos publicitários são repassados para os criadores de conteúdo em proporção ao número de visualizações alcançado pelo vídeo em que o anúncio se encontra, tornando possível a profissionalização daqueles que produzem vídeos para a plataforma, conhecidos popularmente como “youtubers”.
Além de hospedar a criação de conteúdo audiovisual e dividir parte dos ganhos com os criadores de vídeos ”monetizados”, o YouTube também atua na propagação para o público consumidor, recomendando diversos vídeos com base no gosto pessoal ou histórico de busca dos usuários, dando destaque significativo para Youtubers com conteúdo reconhecido pelo público. Como o acesso ao site é gratuito, o compartilhamento de vídeos é extremamente rápido e fácil, “viralizando” os canais mais famosos, assim como ocorreu com Whindersson Nunes e Felipe Neto, ambos começaram a produzir conteúdos e opiniões sobre o dia a dia e com o sucesso no YouTube são atualmente consideradas celebridades e influenciadores digitais. Com base nessa dinâmica interativa, o modelo de negócios do Youtube tem como base três elementos centrais: Espectadores, Criadores e anunciantes.
Os três agentes citados estão constantemente relacionados e são essenciais para manter o funcionamento da plataforma, pois os criadores geram conteúdo para os espectadores, que por sua vez acabam tendo acesso aos anúncios pagos inseridos nos vídeos, gerando um retorno financeiro tanto para o YouTube quanto para os criadores, que continuam a sustentar a plataforma, agora com incentivos financeiros. Santana (2018) caracterizou o modelo de negócio para diferentes tipos de canais, usando como referência o proposto por Osterwalder e Pigneur (2011), assunto que será tratado com mais detalhes nas próximas publicações.
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Link do texto: https://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/28271
Na imagem: Radiohead - Creep (encontrado em: https://youtu.be/watch?v=XFkzRNyygfk)

O YouTube é uma plataforma de criação e compartilhamento de vídeos criada em 2005.  Conforme visto no post anterior, ele...
20/05/2021

O YouTube é uma plataforma de criação e compartilhamento de vídeos criada em 2005. Conforme visto no post anterior, ele representa um novo modelo de negócio que utiliza o UGC, o que significa que a empresa não atua no mercado de vídeos em si, ela, na verdade, serve como estrutura provedora do armazenamento, distribuição e ferramentas para que os usuários possam consumir e compartilhar seus vídeos. A democratização da produção de vídeos oferecida pela plataforma possibilitou modelos de negócios muito lucrativos, além de dar oportunidade a qualquer pessoa com acesso à internet e um dispositivo eletrônico a criar e expor seus conteúdos em vídeos.

Com isso, o site apresenta uma biblioteca de vídeos que vai desde produções mais simplórias e caseiras sobre assuntos corriqueiros até as mais elaboradas e bem produzidas tratando de assuntos mais complexos. Cardoso (2018) então, expõe observações feitas por Vasconcellos (2018) sobre os conteúdos com maior audiência da plataforma. Dentre eles estão: vídeos de humor (como sketches e edições), gameplays, vlogs, unboxing de produtos, tutoriais diversos, receitas e divulgação de conhecimento científico.

No quesito de números do site: o Youtube tem mais de 1 bilhão de usuários mensalmente; 17% de todo fluxo de tráfego da internet ocorrem através da plataforma; 6 bilhões de horas de vídeo são assistidas todo mês; é o segundo maior mecanismo de busca, perdendo apenas para o Google; 100 horas de vídeo são enviadas por minuto. Seu sucesso foi tão expressivo que em 2006 foi eleito pela revista americana Time como a melhor invenção do ano.

O YouTube vem conquistando além dos jovens, faixas etárias cada vez mais amplas. A plataforma deixou de ser apenas uma fonte de entretenimento e passou a ser disruptiva no mercado midiático tradicional (Tv e rádio), conquistando cada vez mais espaço com sua forma inovadora de interação entre os produtores de conteúdo e seus espectadores, caracterizada por ferramentas como inscrição de canais, sessão de comentários nos vídeos e aba de comunidade do canal.
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Link do texto: https://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/28271

Tendo em vista a cultura interativa presente nos modelos de negócios atuais, possibilitada pela Web 2.0, é possível cons...
14/05/2021

Tendo em vista a cultura interativa presente nos modelos de negócios atuais, possibilitada pela Web 2.0, é possível considerar que os criadores de conteúdo digital atuam como peças essenciais para a geração de valor e rentabilidade de serviços e produtos. As principais plataformas utilizadas nestes modelos de negócio são aquelas que possibilitam que os consumidores criem seus próprios conteúdos na web, como o Instagram, Facebook e YouTube, por exemplo, pois permitem uma interação constante entre os usuários, facilitando, assim, a socialização e distribuição dos meios de produção. Os usuários que dão dinamismo a essas plataformas são chamados de “User-generated content” (UGC) e representam um novo agente no sistema econômico digital.
O surgimento do UGC nas redes resultou na gradual substituição de serviços profissionais por conteúdos gerados pelo público na web, dessa forma se sucedeu um aumento significativo de publicações feitas por pessoas comuns para diversas camadas da sociedade. Essa nova forma de interação entre usuários também abriu caminho para criação de produtos e publicidades especializados para cada tipo de conteúdo pesquisado, como por exemplo linhas de vestuário para um público de jovens seguidores de determinado estilo de vida, ou kits de hardware para comunidades consumidoras de jogos eletrônicos. Empresas tradicionais que faziam uso apenas de conteúdo profissional passaram a adaptar seus modelos de negócio para aproveitar os benefícios possibilitados pelo UGC, demonstrando ser a forma de negócio mais promissora da recente era digital.
Santana (2018) apresentou em seu trabalho uma pesquisa realizada pela Ofcom em 2008 sobre o valor depositado pelos consumidores em conteúdos desenvolvidos profissionalmente e por usuários UGC. Os resultados demonstraram que aproximadamente metade dos entrevistados não faziam distinção entre conteúdos por usuários e empresas, atribuindo o mesmo valor para os dois tipos de produção e publicidade, representando um ganho para os UGC. É perceptível também que os mais jovens tendem a confiar mais em conteúdos gerados por usuários comuns quando comparados ao público mais velho, provavelmente por fazerem parte da geração mais beneficiada pela propagação das TICs na sociedade. Ainda sim, grande parte dos entrevistados alegaram consumir informações geradas em websites pessoais, independente da faixa etária considerada na pesquisa, confirmando que esse novo tipo de plataforma apresenta grande potencial para atingir diversas camadas da sociedade.
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Link do Texto:
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