28/05/2024
Passamos uma vida sem entender os porquês de tanta opressão e, para além, de como pode um povo, pela sua etnia, ser denegado ao lugar de subserviência, do não-outro inexistente( ou apenas existindo para ocupar lugares menores que calam suas vozes e vez; como podemos dizer-nos não racistas e mesmo assim sermos omissos ao ver como o privilégio da branquitude opera violentamente. E, tergiversarmos para as dores do outro, um de nós, cuja melanina é aquilo que determina sua condição de existência no mundo. Ou para fora dele.
Apenas com letramento racial podemos levantar a bandeira de antirracista ( e, não ocupar o estúpido e hipócrita lugar das feministas que lutam por igualdade, mas cativam em seus lares mulheres negras, como babás, cuidadoras ou domésticas). O brado retumbante vai para além das palavras. Porque palavras beijam a hipocrisia numa sociedade cuja forma de ser e estar é pela régua da tal " lacração".
Os povos escravizados foram destituídos de humanidade, de dignidade, da sua cultura ancestral, ceifados da subjetivjdade que todos devem possuir para constituir-se.
Sim. Foi e é uma narcísica minoria branca que diuturnamente continua a massacrar vidas negras. Que diuturnamente surrupia filhos de pais e pais de filhos, companheiros dos seus companheiras( e, pior, se forem trans, homossexual ou aquilo que não está na Bíblia do Deus branco).
Entender a interseccionalidade. Ler Sueli Carneiro, Djamila Ribeiro, Bell Hooks, Angela Davis, dentre tantas, para alcançar o feminismo concreto e de todes.
Ler Fanon e entender como o negro precisa de armaduras, nem sempre do ser o opressor, mas, na quietude, não ser ainda mais oprimido. As construções psíquicas fomentadas pela sanha colonizadora. Do ontem e do hoje.
Porque é urgente que possamos produzir uma leitura crítica, histórica, material e dialética sobre como a identidade de um povo( aqui falamos do povo negro, porém é estendida aos povos originários também!) é construída e (re) produzida.
Há muito que fazer, companheiros, Luxemburgo já nos convidou ao debate e à luta concreta. Há muito que se eliminar radicalmente desta sociedade distópica. E a luta se faz no campo social, econômico, político. Uni-vos!