06/03/2026
O Dia Internacional da Mulher não nasceu de flores, mas de luta. Sua origem remonta aos movimentos operários do início do século XX, quando mulheres reivindicavam condições dignas de trabalho, redução de jornada e igualdade de direitos. Em 1910, na Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, em Copenhague, foi proposta a criação de um dia dedicado à mobilização feminina. Anos depois, em 8 de março, consolidou-se mundialmente como marco simbólico da resistência e da busca por justiça.
No Brasil, essa trajetória encontrou eco na Constituição de 1988, que consagrou a igualdade entre homens e mulheres como fundamento do Estado Democrático de Direito. A partir daí, o ordenamento jurídico passou a reconhecer, de forma mais efetiva, a dignidade feminina como princípio estruturante das relações sociais e familiares, em sintonia com a principiologia constitucional que hoje orienta o Direito das Famílias.
Muito já se conquistou, muito ainda precisa ser afirmado, pois, queremos liberdade para desenvolver nossa independência econômica, intelectual e emocional. Queremos poder escolher se desejamos maternar, quando desejamos maternar e de que forma desejamos exercer essa maternidade — ou mesmo optar por não exercê-la. A maternidade não pode ser imposição social; deve ser escolha consciente, livre e respeitada.
Queremos caminhar pelas ruas, correr, exercitar-nos ao amanhecer ou ao entardecer, sem que olhares cobiçosos nos intimidem, sem que o medo nos acompanhe como sombra permanente, pois a liberdade de ir e vir é direito fundamental, e não privilégio condicionado à cautela feminina.
Queremos igualdade salarial real, não apenas formal. O trabalho feminino movimenta a economia, sustenta lares, lidera empresas, transforma comunidades. A desigualdade remuneratória não é apenas injusta, é inconstitucional.
Queremos viver sem violência. Não queremos ser silenciadas por agressões físicas, mutiladas psicologicamente ou assassinadas por quem não aceita nossa autonomia. O enfrentamento à violência doméstica e de gênero é compromisso coletivo e institucional, reforçado por instrumentos como a Lei Maria da Penha, mas que exige, sobretudo, mudança cultural.Continua nos comentários