27/04/2018
Por Davi Nunes
Acadêmico do 5 período de Educação Física UVV- Monitor do LEMEF
Contribuição equipe de monitores LEMEF-UVV
No retorno das reuniões semanais do LEMEF-UVV- 2018, sob a orientação da professora Ms. Michelli Christian, a apresentação dos conteúdos que serão estudados neste trimestre do núcleo foram expostos. Iniciamos nossos estudos enfatizando conceitos como: Reabilitação, avaliação funcional do movimento, reprogramação neural, padrão de movimento e mais alguns fundamentos indispensáveis para a melhor compreensão do treinamento funcional. Por uma questão didática escolhi o último citado para abordar neste texto, PADRÃO DE MOVIMENTO, para ser melhor contextualizado e conceituado nesse resumo com intuito de aprofundar o conhecimento acerca dos princípios do treinamento funcional e uma reflexão sobre algumas questões que, às vezes, são interpretadas de forma equivocada, até mesmo, por profissionais ou acadêmicos de educação física; todavia, o treinamento funcional é uma metodologia que precisa ser estudada e revisada constantemente, pois quando se trata de movimento humano não podemos nos contentar com pouco, é preciso buscar na teoria dos grandes estudioso do treinamento físico um propósito para sua intervenção profissional e a partir daí embasado com evidências se dedicar na prática, começando com você, depois com seus familiares, amigos e então em seus alunos.
Para explicar o conceito de Padrão de Movimento preciso contextualizar duas questões que são más interpretadas acerca do que se entende em treinamento funcional e causam dúvidas em acadêmicos e profissionais da área, seriam dois pontos importantes o entendimento da diferença entre treinamento funcional VS musculação tradicional e treinamento funcional VS circuito de praia. No primeiro caso podemos entender a diferença nos princípios básicos da musculação tradicional que visam à estimulação isolada da musculatura com intuito de ganhos hipertróficos, força e suas subdivisões ou reabilitação, sendo na maioria das vezes com auxilio de máquinas que promovem suporte de estabilidade para a execução do exercício. Por sua vez, o treinamento funcional segue outro princípio em seu método e sugere um treinamento integrado – acredito que integração seja a palavra-chave para entendermos diversos conceitos desta metodologia- que traz grande benefícios ao indivíduo quando comparado aos “exercícios de musculação” que trabalha grupos musculares isolados, segundo Boyle (2004), “uma vez que treina o corpo a desempenhar melhor os movimentos necessários nas atividades cotidianas e esportivas”, logo o objetivo é estimular cadeias musculares de forma integrada fazendo um trabalho oposto ao das máquinas da sala de musculação, propondo estratégias baseadas em uma avaliação funcional do movimento, com anotações e registros em audiovisual para que se possa continuar o programa de treinamento buscando integrar dois princípios básicos de mobilidade x estabilidade, responsáveis pelas funções articulares, assim cada articulação possui uma função dominante de mobilizar ou estabilizar, ao passo que cada movimento articular isolado em agrupamento a outros movimentos formam uma cadeia de movimento, funcionando como elos de uma corrente, para Boyle(2004) “Desenvolver força distal sem presença de estabilidade proximal é como tentar dar um tiro de canhão de dentro de uma canoa”. Veja Bem, não pretendo definir o melhor método de treinamento e sim responder algumas dúvidas em torno do treinamento funcional para um melhor entendimento futuro ao longo dos encontros do núcleo, pois se entendemos que o treino funcional é aquele que tem funcionalidade no propósito e objetivo do indivíduo de acordo com cada caso, não vai existir receitas de bolo. É papel do treinador decidir por qual metodologia e estratégias vai seguir e cabe a ele escolher o melhor caminho para seu aluno, agora que fique claro uma coisa quando levamos à risca os conceitos dentro de uma escala de funcionalidade dos exercícios a escolha dos exercícios tradicionais de musculação nas máquinas seria a menos funcional possível, por exemplo a cadeira para leg 45º ou uma cadeira extensora, seguindo para um agachamento na estrutura hack, que não possui funcionalidade por promover a estabilidade pela barra fixa na estrutura, depois o agachamento livre somente com o peso corporal e a gravidade, já começaríamos a integrar o movimento fazendo com que o indivíduo precise recrutar a musculatura mais profunda responsável pela estabilização central do corpo para o movimento das extremidades, popularmente conhecida como CORE, entramos no universo funcional, para aumentar a funcionalidade passaríamos para o agachamento assimétrico e avançando mais na funcionalidade teríamos o agachamento uni podal, agora imagino que já esteja mais fácil de entender o conceito de treino funcional.
Agora veremos o segundo caso, em que na maioria das vezes confundem no entendimento entre treinamento funcional VS circuito de praia, o ponto em questão é que não podemos reduzir o treinamento funcional que vem sendo objeto de estudo e pesquisa de diversos intelectuais da área da saúde que se ocuparam de desvendar essa metodologia e fornecer um estudo organizado e sistematizado comprovado por evidências, ao passo que se ocupe de desenvolver as principais capacidades biomotoras e funcionais no individuo, sendo capaz de se adaptar tanto para o alto rendimento esportivo quanto para a promoção da saúde e qualidade de vida. Enquanto isso, nos circuitos de praia tem um aproveitamento limitado das possibilidades que o treinamento funcional de verdade pode oferecer, logo não confundam as atividades em circuito na praia ou aulas coletivas nas academias, que servem muito bem como um estímulo aeróbio, para elevar o metabolismo e manter a frequência cardíaca em ritmo elevado para melhor o condicionamento cardiovascular, isso é somente uma parte de um todo do universo do treino funcional, nesse caso será comum vermos exercícios funcionais sendo realizados nos circuitos, todavia, não devemos nos prender com o que o exercício parece e sim com o que ele produz, por fim não é porque eu prescrevi um exercício considerado funcional ele trará um resultado funcional.
Após contextualizar essas duas questões acerca do nosso tema de estudo, devemos integrar o conceito de PADRÃO DE MOVIMENTO aos outros conceitos do treinamento funcional aqui falado. A partir de um entendimento melhor sobre um treino funcional, entendemos que sugere um método de treinamento integrado que pense o movimento como um todo e não em partes isoladas, através de avaliações e exercícios funcionais que promovam melhoria das funções articulares (mobilidade x estabilidade) resgatando os padrões de movimento mais básicos para depois seguir para padrões mais específicos, sobretudo, o cérebro funciona como um grande armazenamento de movimentos fundamentais que reproduzidos constantemente são arquivados como pasta e acessados novamente na hora de reproduzir o movimento, são grupos de movimentos isolados que usados em combinação desempenham uma determinada função, segundo Cook(2001), “combinações intencionais de segmentos estáveis e móveis trabalhando em harmonia coordenada para produzir sequência de movimentos eficientes e efetivos”, a partir de estudioso como Cook que seguimos em atualização constante acerca do assunto e somente a teoria evidenciada na prática pode ser o nosso melhor campo de estudo, então para elaborar um programa em treinamento funcional que realmente funcione preciso me dedicar aos estudos dos conceitos e não saber milhões de exercícios sem um propósito definido, preciso buscar o que há de mais atual no mundo, como por exemplo o protocolo de avaliação funcional do movimento, conhecido como FMS, criado por Gray Cook e Lee Burton à fim de desenvolver um teste avaliativo que analisasse o movimento, são sete exercícios te**es que reproduzem padrões de movimentos fundamentais, a partir de um cunho qualitativo e não quantitativo de análise e resultado, sendo passivo de observações e análises biomecânicas e anatômicas de cada movimento proposto pelo teste, induzindo a um resultado contabilizado por um score, porém sendo fundamental a observação com anotações e registros audiovisual para avaliar as potencialidades e deficiências nos padrões de movimento detectando como uma boa execução pelos critérios adotados no teste ou pela compensação (movimentos desnecessários) de algum segmento ora por limitações articulares ora por desequilíbrios musculares. Assim, precisamos filtrar nossas fontes para sabermos se estamos bebendo da fonte certa e mergulharmos nos estudos sérios que levaram e ainda levam anos de dedicação para serem compartilhados como um conhecimento organizado e stematizado em princípios do treinamento físico embasados em evidências teóricas comprovadas na prática e através de um bom entendimento entre a teoria e pratica desenvolver um programa de treinamento funcional de qualidade para meu aluno, que cuide de avaliar seus padrões de movimento antes de sobrecarregar, para que possa evoluir o desenvolvimento das capacidades biomotoras e funcionais a partir de um conjunto de exercícios funcionais organizados em progressões, regressões e lateralizações para estimular de forma integrada os sistemas muscular, esquelético e nervoso reprogramando o padrão de movimento para um padrão considerado de qualidade, que à posteriori será transferido na execução dos exercícios no treino, na pratica esportiva de alta rendimento ou amadora, nas tarefas de casa, no trabalho, na vida sexual, na postura em relação a questão físico motor e social, ou seja, na sua vida em geral.