03/06/2026
O artigo "Biocarvão derivado de estrume ovino em pastagens semeadas: oportunidades e desafios", publicado na edição de março de 2026 da revista Vida Rural, contextualiza o potencial e os limites desta prática em sistemas extensivos portugueses.
O estrume ovino, subproduto inevitável da produção extensiva, impõe desafios logísticos, ambientais e sanitários quando gerido por métodos convencionais. A sua conversão em biocarvão por pirólise (queima controlada sem oxigénio) nos reatores do DAO transformou-o num material estável, higienizado e com propriedades agronómicas mensuráveis. Combinando carbono estável, pH, elevado teor de nutrientes disponíveis e elevada capacidade de troca catiónica, o biocarvão obtido pode atuar simultaneamente como corretivo da acidez do solo e como fertilizante de libertação lenta. Estas características estão alinhadas com as especificações de qualidade propostas pelo European Biochar Certificate para aplicações agronómicas, tanto na agricultura convencional como na produção biológica.
O trabalho é assinado por Ana Catarina Bastos, Márcia C. Santos, Luís A.C. Tarelho e Frank G.A. Verheijen, do DAO e do CESAM da Universidade de Aveiro, em parceria com Tiago Domingos (Terraprima e IST).
Este é um caminho que o DAO já está a percorrer: da produção de conhecimento à transferência efetiva para os territórios rurais e para quem neles trabalha.
O biocarvão derivado de estrume ovino pode conciliar o sistema produtivo extensivo com estratégias de adaptação e de mitigação climáticas.