O Departamento de Engenharia Civil é uma escola de referência no ensino e investigação nos diversos domínios da Engenharia Civil em Portugal e afirma-se, cada vez mais, com vontade, rigor e determinação, na área da Engenharia do Ambiente, parceira mais jovem neste percurso. As fronteiras da internacionalização são vencidas pela via da investigação (onde se afirmam os centros de investigação e proj
ectos em que participa), pela via da intensa mobilidade de alunos - de e para Universidades parceiras, com destaque para o programa Erasmus, e pela presença activa em muitos cantos do mundo - com grande expressão nos países em desenvolvimento - dos que aqui fizeram a sua formação académica e, agora, se afirmam profissionalmente no projecto, na consultoria, na construção ou na gestão. Nesta escola com cerca de 1500 estudantes, dois cursos de mestrado integrado e uma dezena de ofertas de formação ao longo da vida e programas doutorais, a Engenharia Civil – agora acompanhada pela Engenharia do Ambiente – tem uma expressão equilibrada e exigente entre a abrangência temática que a sociedade nos impõe e o conhecimento especializado, entre a sólida formação teórica – que distingue quem pode definir o rumo e arriscar na inovação – e uma clara compreensão da intervenção no real – missão última da vocação transformadora da engenharia - das estruturas à hidráulica e aos recursos hídricos, das construções à geotecnia e aos materiais, do urbanismo aos transportes, às vias de comunicação e ao ordenamento, dos métodos numéricos à experiência laboratorial, da formação em ciências básicas à tecnologia. Num tempo em que a multidisciplinaridade é uma palavra-chave, a formação e investigação do Departamento de Engenharia Civil, organizadas numa matriz clássica e transparente, mas com uma abordagem dinâmica e sempre renovada são a resposta certa, que se pretende de excelência. Apesar do cansaço de algumas palavras e conceitos, é incontornável a referência aos desafios do “desenvolvimento sustentável” e ao papel do ambiente construído nesse contexto, numa sociedade em que a paisagem é, mesmo quando “natural”, objecto da apropriação e da transformação permanentes pelo Homem, cuja acção se espera responsável e criativa. A crise de vários sectores tradicionais em que a Engenharia se afirma - seja a Engenharia Civil e do Ambiente, sejam as suas congéneres - não pode representar a crise da Engenharia ela própria, nem dos seus profissionais, mas antes o desafio à sua abertura a novos contributos para uma sociedade à qual são imprescindíveis. Em Coimbra, numa cidade universitária única, com o seu património, a sua história, a tecnologia de ponta e a ciência, com uma tradição académica singular, tanto na intervenção cívica e política, como na cultura e na vivência das emoções, cada um dos mais de 70 doutorados do Departamento de Engenharia Civil, cada um dos seus docentes, investigadores e colaboradores, cada um dos seus alunos – quer os que agora fazem a sua formação inicial, quer os que voltam, cada vez com mais frequência, para se actualizarem e nos actualizarem com a sua experiência de vida e profissional - são peças essenciais desta escola de futuro. Doutor Raimundo Mendes da Silva