Redescobrir a Bíblia

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Qua e Qui, 15, 16, 22 e 23 Jan - 19h às 20h30Cursos da Aula da EsferaA Bíblia não caiu do céuP. Francisco Martins SJO Co...
13/01/2025

Qua e Qui, 15, 16, 22 e 23 Jan - 19h às 20h30
Cursos da Aula da Esfera
A Bíblia não caiu do céu
P. Francisco Martins SJ

O Concílio Vaticano II reiterou a milenar doutrina da Igreja de que Deus é o verdadeiro autor da Bíblia (Dei Verbum, 11). Ao mesmo tempo, recordou que as Escrituras foram escritas por homens e mulheres concretos, que se exprimiram segundo as condições do seu tempo e da sua cultura (Dei Verbum, 12). Neste curso, abordamos as condições históricas e culturais que deram origem à Bíblia, reconstruindo o seu longo processo de composição e redação. Partindo da pergunta acerca das origens da língua hebraica e indagaremos o quão antiga é a Bíblia, vamos analisar criticamente o processo de elaboração do Pentateuco e do fenómeno do profetismo em Israel. Terminaremos o nosso percurso com o estudo dos primeiros escritos cristãos (Cartas de Paulo e Evangelhos canónicos).

Programa

Dia 1 — As origens da língua hebraica e a Bíblia à luz das descobertas epigráficas
Dia 2 — Dos alvores do estudo crítico do Pentateuco ao debate contemporâneo
Dia 3 — O fenómeno do profetismo em Israel e a composição e redação dos livros proféticos
Dia 4 — Das Cartas de Paulo aos Evangelhos canónicos: tradição oral e palavra escrita

P. Francisco Martins SJ

Nasceu em Lisboa, em 1983. Jesuíta desde 2005, foi ordenado sacerdote em 2015. Licenciado em Filosofia (Universidade Católica Portuguesa — Braga) e em Teologia (Universidad Pontificia Comillas — Madrid). Mestre em Teologia Bíblica (Centre Sèvres, Facultés jésuites de Paris — Paris) e em Filologia Semita e História Antiga (École des Langues et Civilisations de l’Orient Ancien — Paris). Doutorado em Bíblia pela Universidade Hebraica de Jerusalém (Israel). Foi investigador visitante na Universidade de Göttingen (Alemanha) e na Universidade de Notre Dame (Indiana, EUA). É atualmente professor auxiliar na Pontifícia Universidade Gregoriana em Roma e Fellow-at-Large da Brotéria. É autor do livro A Bíblia tinha mesmo razão? As histórias de Israel e o Israel da História (Temas e Debates, 2023).



Local: Brotéria
Duração: 1h30
Preço: 20€

A Bíblia não caiu do céu (online)
Local: Online
Duração: 1h30
Preço: 20€

BROTERIA | Centro cultural dos jesuítas portugueses no Bairro Alto, onde as culturas urbanas contemporâneas e a fé cristã se cruzam. Revista desde 1902.

Sobre os Símbolos da Vinha e do Vinho
12/10/2024

Sobre os Símbolos da Vinha e do Vinho

A TAÇA DO VINHO DO BANQUETE MESSIÂNICO

É do banquete que o vinho retira também o seu sentido simbólico fundamental: a alegria e a festa. Daí o Salmo 104,15 afirmar que «é o vinho que alegra o coração do homem». É no banquete que o vinho ocupa o seu lugar mais importante e é aí que encontramos a base do seu simbolismo religioso da alegria e da festa.
(…) Bebido no banquete, o vinho era símbolo da amizade e do amor entre os comensais. É com este sentido profundo do amor que aparece no cântico dos cânticos: «os teus amores são mais deliciosos que o vinho.» (ct 1,2; ver 1,4; 4,10; 5,1; 7,10).
(…) Por detrás destes textos, encontramos o tema da Aliança, do amor entre Deus e o seu povo, que é o tema central da Bíblia. no ambiente oriental, era costume passar uma taça cheia de vinho por onde todos os comensais bebiam. A taça do vinho do banquete é o selo da Aliança não só entre os comensais, mas também com o Deus da Aliança, porque todas as realidades tinham um caráter mais ou menos sagrado. Foi isso que Jesus fez na última ceia, com os Apóstolos, pois, com o cristianismo, o vinho também subiu ao altar, à mesa da Eucaristia.

Sobre os Símbolos da Vinha e do Vinho
12/10/2024

Sobre os Símbolos da Vinha e do Vinho

A PRIVAÇÃO DO VINHO SIMBOLIZA AUSÊNCIA DE ALEGRIA

A vida austera levava a pessoa pensar mais no Senhor e a viver unida a Ele. Os mais conhecidos eram os nazireus, que se abstinham de beber vinho (Nm 6,1-5; Jz 13,7; 1 Sm 1,11; Am 2,11-12).
O mesmo aconteceu com o austero João Batista, que se privava do vinho (Lc 1,15; 7,33) e com algumas comunidades dos Atos. A privação do vinho lembrava, certamente, a austeridade do tempo em que o povo atravessou as dificuldades do deserto: «não foi pão que comestes, não foi vinho nem bebida alcoólica que bebestes, para saberdes que Eu sou o Senhor vosso Deus.» (Dt 29,5).
Um dos grupos que atravessou o deserto – os recabitas – guardaram esta fidelidade à antiga austeridade própria da vida nómada. No deserto não há vinhas nem vinho. Por isso, não devemos estar longe da verdade, se virmos neste antigo costume o fundamento da privação do vinho e do álcool no corão e na prática de todos os muçulmanos, ainda hoje. Especialmente significativo, a este propósito, é um texto de Jeremias, em que a privação do vinho vai acompanhada de outras caraterísticas próprias da vida nómada: ver (Jr 35,5-10).

Sobre os Símbolos da Vinha e do Vinho
12/10/2024

Sobre os Símbolos da Vinha e do Vinho

VINHO, SÍMBOLO DA ALEGRIA E DA FESTA.

Como o vinho era bebido apenas pelas pessoas mais abastadas e, pelos pobres, apenas nas festas, por isso mesmo ia associado a todas as coisas que alegram o homem e tornam feliz a sua vida sobre a terra e é um dos elementos que simbolizam a totalidade dos dons de Deus. Numa palavra, o vinho era símbolo da festa:
(Gn 27,28; ver 27,37; Jdt 12; Jb 1,18; Ecl 9,7; 10,19; Jl 2,23-24; Zc 10,7).

Por isso, um dos sinais de grande tristeza nacional era a falta das canções das vindimas: (Is 16,10; ver Jr 48,33).

O profeta Zacarias faz uma ligação estreita entre o vinho e a alegria dos tempos futuros: (Zc 10,7).

O vinho entra no elenco dos dons de Deus que trazem o sustento e a alegria de viver: (Sl 104,13-15).

Sobre os Símbolos da Vinha e do Vinho
12/10/2024

Sobre os Símbolos da Vinha e do Vinho

O VINHO, SÍMBOLO DA SABEDORIA.

(…) A Bíblia vê também o vinho como símbolo da sabedoria divina, que todo o crente deve ter, para agradar a Deus, enquanto vive sobre a terra: «A sabedoria edificou a sua casa, / e levantou as suas sete colunas./ Abateu os seus animais, misturou o seu vinho, e dispôs a sua mesa.» (Pr 9,1-2)
Mas uma vida sem sabedoria, inútil aos olhos de Deus e dos homens, é comparada às uvas que não prestam para nada (Is 5,2), a um vinho estragado: «A tua prata converteu-se em escória / o teu vinho misturou-se com a água.»
(Is 1,22) no novo Testamento, este “vinho novo” da Sabedoria divina é o Espírito Santo, que Jesus enviará quando chegar a “sua Hora” (Jo 2,4; At 2,15- -21). E essa sabedoria deve crescer continuamente no cristão, como diz Orígenes: “o vinho que procede da verdadeira vinha é sempre novo: pelo progresso contínuo dos discípulos, renova-se o conhecimento da ciência humana e da ciência divina.”

Sobre os Símbolos da Vinha e do Vinho
12/10/2024

Sobre os Símbolos da Vinha e do Vinho

O VINHO, SÍMBOLO DA MORTE E DO SOFRIMENTO.

A ligação entre vinho e sangue, como símbolo da vida, leva muitas vezes à ligação entre vinho e morte, quando o sangue é derramado. É a ligação entre o «sangue da videira» e o vinho que leva Isaías a comparar a ação de pisar uvas no lagar ao castigo sangrento de Edom. (63,1-6) o lagar, onde as uvas são pisadas, é o lugar do vinho da vida, mas também do vinho da morte.
Por isso, o lagar é símbolo de alegria e símbolo de sofrimento. Porquê? Este duplo sentido vem da imagem de violência que é feita ao esmagar as uvas, para sair o vinho: assim como o vinho sai da uva ao ser esmagada, assim o sangue sai do corpo esmagado por uma qualquer violência. neste sentido, fala-se muitas vezes do «vinho da ira divina» e do «sangue das uvas» (Gn 49,11; Dt 32,14; Sir 50,15), porque se bebia sobretudo vinho tinto.

Sobre os Símbolos da Vinha e do Vinho
12/10/2024

Sobre os Símbolos da Vinha e do Vinho

VINHO, SÍMBOLO DA VIDA.

(…) O vinho era oferecido a Deus como um maravilhoso produto da vida da terra, como um qualquer outro dom de Deus aos homens. O povo da Bíblia oferecia-o a Deus com os melhores produtos da terra e dos rebanhos.
No antigo santuário de Silo, os pais de Samuel, entre outros dons, vão oferecer ao Senhor vinho, pelo nascimento do filho: (1 Sm 1,24; ver 10,2).
Este simbolismo da vida é reforçado e garantido pelas propriedades curativas que eram atribuídas ao vinho, numa época em que as pessoas se curavam com remédios caseiros e produtos naturais.
Assim, para além da cura de feridas e alívio de sofrimentos físicos, o vinho era considerado um remédio para aliviar tristezas e problemas (Pr 31,6-7; Jr 16,7).

Sobre os Símbolos da Vinha e do Vinho
12/10/2024

Sobre os Símbolos da Vinha e do Vinho

VINHO

O vinho como símbolo da vida, da sabedoria e do conhecimento, da alegria e da festa, do banquete messiânico e da Eucaristia.
(…) O vinho era guardado em ânforas de barro e, mais raramente, em odres de peles (Mt 9,17).

A Bíblia fala do vinho pela primeira vez na
história de Noé (Gn 9,20-22) e a Palestina é conhecida como terra de bom
vinho, pois tem um clima tipicamente mediterrânico.

Sobre os Símbolos da Vinha e do Vinho
12/10/2024

Sobre os Símbolos da Vinha e do Vinho

A VIDEIRA, SÍMBOLO DE JESUS E DOS DISCÍPULOS

No Evangelho de João, o símbolo da videira é portador de um outro simbolismo: Jesus é a videira. Toda a alegoria pretende exprimir a relação entre três tipos de pessoas: o Pai (o agricultor), Jesus (a videira) e os discípulos (os ramos da videira):
Ver (Jo 15,1-8).
Nesta alegoria, Jesus apresenta-se como a fonte da seiva que dá a vida aos ramos, isto é, a todos os que se reclamam seus discípulos. A energia, a vida divina vem do Pai, através dele, para todos nós.

Sobre os Símbolos da Vinha e do Vinho
12/10/2024

Sobre os Símbolos da Vinha e do Vinho

A VINHA, SÍMBOLO DO REINO DE DEUS

Jesus seguiu a linguagem dos profetas, utilizando o símbolo da videira e da vinha para falar da atitude do Israel de então, relativamente ao seu projeto evangélico: Israel é uma vinha, cujos vinhateiros – os chefes do povo – não entregaram os frutos; é, portanto, uma vinha estéril, que não deu frutos. É o que nos diz a parábola dos vinhateiros homicidas.
Ver (Mt 21,33-43; ver 20,1-16; Mc 12,1-12; Lc 20,9-19).

Na boca de Jesus, esta parábola, cheia de precisões alegóricas, fala da destruição da vinha; na intenção de Mateus, também anda ligada à ideia do novo povo, novo Israel, e ao facto do Filho que deve morrer e ressuscitar.

Outra parábola sobre a vinha, para explicar o reino de Deus, é a dos trabalhadores da vinha (Mt 20,1-16). Dirige-se contra os fariseus e pretende mostrar que a bondade de Deus é a sua justiça.

Sobre os Símbolos da Vinha e do Vinho
12/10/2024

Sobre os Símbolos da Vinha e do Vinho

ISRAEL, A VINHA ARRANCADA.

Ezequiel utiliza o exemplo da videira para falar de Israel, videira «arrancada com violência»:

«A tua mãe era como videira no pomar,
plantada junto à água,
era fecunda e rica em sarmentos,
graças às águas abundantes.
Brotaram ramos fortes,
que se tornaram ceptros de comando;
cresceu e elevou-se até tocar nas nuvens;
era admirada pela sua altura e pela abundância dos seus ramos. Mas ela foi arrancada com violência e lançada por terra,
o vento leste secou-lhe os frutos, ela foi partida,
os seus ramos poderosos secaram, e o fogo tudo devorou.
Ei-la transportada para o deserto,
para o país seco e árido.
Saiu fogo do seu tronco e devorou-lhe os ramos e os frutos.»
(Ez 19,10-14)

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