17/04/2026
Há um lado do cuidar que nem sempre se vê.
Fala-se, e bem, da dor de quem perde. Da ausência que f**a na família, do vazio que nenhuma palavra consegue preencher. Mas há também uma outra dor, mais silenciosa, mais discreta, a de quem cuida.
Ser auxiliar de saúde é muito mais do que prestar cuidados. É estar presente todos os dias, nos gestos pequenos e nos momentos grandes. É conhecer rotinas, manias, histórias. É acompanhar sorrisos, mas também fragilidades. É, muitas vezes, tornar-se parte da casa, da vida… da família.
E quando chega a partida, ela não é sentida apenas por quem partilha o mesmo sangue. É sentida por quem esteve lá todos os dias. Por quem segurou a mão, por quem ouviu, por quem cuidou com respeito, dedicação e carinho.
Porque nós não cuidamos só de quem precisa. Cuidamos também da família, das suas preocupações, das suas ausências, da sua confiança depositada em nós.
E, ao longo do tempo, criam-se laços. Laços que não se explicam, mas que se sentem. E quando alguém parte, esses laços f**am. Ficam na memória, nos gestos que já não se repetem, no espaço que nunca mais é o mesmo.
Ser cuidador é isto também: aprender a dar, todos os dias, sabendo que um dia teremos de deixar ir.
E ainda assim… continuar.
💙