15/02/2026
Comunicado Os Amigos do Arunca
Hoje, fomos novamente ao rio testemunhar aquilo que temíamos: uma desgraça anunciada e um colapso ecológico em muitas zonas do Arunca e do Cabrunca.
Nas redes sociais encontramos críticas aos Amigos do Arunca pela alegada falta de limpeza e manutenção. É fácil criticar quem aparece. Muito mais difícil é identif**ar quem tem a obrigação legal de agir.
Toda a gente sabe quem somos. Conhecem os nossos nomes, as nossas profissões e sabem que não somos uma entidade formal, não recebemos financiamento público nem qualquer regalia pelas atividades que promovemos. Já daqueles que trabalham em gabinetes, têm competências atribuídas e são remunerados para decidir e executar, poucos sabem quem são.
Os Amigos do Arunca, são apenas um grupo de cidadãos que gosta do rio, que quer um rio vivo e saudável, que partilha o que de bom existe e que procura criar uma relação afetiva entre a comunidade e este património natural.
Não decidimos, não licenciamos, não contratamos, não intervimos sem autorização do Município de Pombal ou da Agência Portuguesa do Ambiente.
O Município de Pombal celebrou um protocolo com a APA para a renaturalização do Arunca, com financiamento próximo dos 600 mil euros, estando a coordenação técnica do PERLA- Plano Estratégico de Reabilitação de Linhas de Águas do Concelho de Pombal, atribuída à técnica contratada para essa tarefa.
Depois dessa designação e da alteração de pelouros, reunimos duas ou três vezes com o executivo, a última das quais em 19 de novembro de 2024.
Desde então, apesar dos vários contactos e pedidos de esclarecimento enviados por e-mail, continuamos sem obter qualquer resposta. Durante estes sucessivos atos eleitorais e, ao contrário do que se diz nos corredores da autarquia, não somos nós que “andamos mal acompanhados”, é o executivo que não nos quer acompanhar nem ouvir.
O Município tem inclusive recusado algumas parcerias com o argumento de que os Amigos do Arunca não são uma associação formal. Ainda assim, continuamos a constar das listas de convidados para atos e receções institucionais.
No âmbito da discussão do PERLA, apresentámos contributos e questões concretas, enviados em 07/02/2022, num e-mail de preparação para a reunião do dia 10. Entre elas:
✅identif**ação dos pontos de descarga de pluviais e efluentes domésticos e industriais nas linhas de água e existência de cadastro atualizado;
✅capacidade, funcionamento, controlo e monitorização das ETAR, incluindo sistemas de alerta;
✅forma de operacionalização das limpezas, desobstruções e eventual instalação de escadas de peixe;
✅dados de monitorização da qualidade da água e respetiva divulgação pública;
✅programas de sensibilização ambiental dirigidos a cidadãos e empresas;
✅planos de regeneração das galerias ripícolas;
✅reforço da limpeza urbana nas zonas ribeirinhas;
✅impactos de infraestruturas como passadiços e necessidade de valorização efetiva da biodiversidade.
Pouco ou quase nada disto ficou refletido num documento onde a obra é o elemento que mais se destaca.
Em 22 de maio de 2025 recebemos, por parte dos vereadores Luís Simões e Odete Alves, um pedido de parecer sobre um plano que desconhecíamos. Nesse documento verif**ava-se grande detalhe no levantamento de intervenções e nos valores financeiros previstos — mais de 21 milhões de euros ao longo de cerca de 16 anos, com uma fatia signif**ativa destinada a “projeto”. Já no que diz respeito ao essencial, o rio e os ecossistemas, o desenvolvimento era bastante menos evidente.
Compreendemos que o nome “Amigos do Arunca” leve muitas pessoas a achar que somos os responsáveis pela defesa do rio, mas não temos nem competências nem meios para substituir quem tem deveres legais nessa matéria.
Nós aparecemos, cruzamo-nos convosco nas vossas caminhadas, ouvimos as vossas queixas, partilhamos as vossas preocupações. Temos rosto e é a nós que reconhecem. Alertamos, mobilizamos, educamos e pressionamos para que quem decide cumpra a sua função.
O estado em que o rio se encontra em muito se deve aos efeitos da Tempestade Kristin!
É verdade!
Fenómenos extremos como os que nos atingiram não se evitam. Já as falhas de planeamento e a ausência de resposta aos alertas podem e devem ser evitadas, e o que esta tempestade demonstrou de forma violentíssima foram as falhas graves na execução de tarefas, gestão e deveres
Quem tem responsabilidades deve retirar as devidas conclusões. E, se entender que não tem condições para cumprir a missão, deve assumir isso perante a população.
Há efetivamente nomes e rostos associados a muitos dos problemas crónicos que identif**amos, mas esses raramente estão na rua como nós.
D'Os Amigos do Arunca f**a a certeza: a defesa de um bem comum não depende de estatutos.