10/10/2026
O Cavaquinho Minhoto merece respeito, conhecimento e verdade.
Todos os dias vejo, nas redes sociais, tocadores de cavaquinho a partilhar a sua arte, a mostrar os seus dotes e a divulgar este instrumento tão ligado à nossa identidade cultural. E ainda bem que assim é! Sou inteiramente a favor da divulgação do Cavaquinho Minhoto e de tudo o que contribua para manter viva esta tradição.
Contudo, há algo que me preocupa: a facilidade com que alguns passam de tocadores a professores, partilhando ensinamentos sem demonstrarem ter o conhecimento necessário para o fazer. Esta tendência manifesta-se não só nas explicações e nos conselhos que se vão publicando, mas também na criação de conteúdos didáticos que, por vezes, parecem servir mais a necessidade de protagonismo e de fazer dinheiro de quem os produz do que a verdadeira aprendizagem de quem os procura.
Mais preocupante ainda é quando surgem afirmações de que se inventou determinada técnica, método ou forma de tocar, como se a história e o conhecimento de um instrumento tradicional pudessem ser apropriados ou reinventados sem o devido estudo e enquadramento.
Vivemos numa época em que, por vezes, parece valer mais conquistar seguidores, obter visualizações e ganhar notoriedade do que estudar, compreender e respeitar aquilo que se pretende ensinar. Criar conteúdos para as redes sociais pode ser uma excelente forma de divulgar o instrumento, mas essa divulgação deve ser acompanhada de rigor, responsabilidade e conhecimento.
É importante compreender que tocar bem não significa, necessariamente, saber ensinar. E produzir vídeos, tutoriais ou outros materiais didáticos também não transforma, por si só, alguém numa referência no ensino do instrumento. Ensinar exige mais do que habilidade, entusiasmo ou vontade de partilhar: exige estudo, conhecimento, consciência histórica e respeito pelo trabalho de quem, ao longo de gerações, preservou e transmitiu os seus saberes.
Não se trata de impedir ninguém de partilhar o que sabe, nem de desvalorizar o contributo de quem se dedica à música. Trata-se de reconhecer a diferença entre partilhar uma experiência pessoal e apresentar algo como um ensinamento fundamentado. Há espaço para todos, desde que exista honestidade naquilo que se transmite e consciência da responsabilidade que acompanha o ato de ensinar.
O Cavaquinho Minhoto não precisa de protagonismos construídos à custa de afirmações pouco fundamentadas, nem de conteúdos didáticos feitos apenas para alimentar a popularidade de quem os publica. Precisa de pessoas que o estudem, compreendam a sua identidade, respeitem a sua história e contribuam, com seriedade, para a sua valorização.
Antes de ensinar, estude-se. Antes de afirmar, investigue-se. Antes de reivindicar a autoria de uma técnica, procure-se saber o que já existe e o que foi transmitido ao longo do tempo.
Menos necessidade de protagonismo, mais humildade para aprender. Menos conteúdos sem fundamento, mais conteúdos com valor. Menos disparates, MAIS RESPEITO PELO CAVAQUINHO MINHOTO.
Prof. Agostinho Bernardo